| Meio
ambiente e sustentabilidade
Wolfgang Teske é
jornalista, educador, teólogo e mestrando em Ciências do
Ambiente, Cultura e Meio Ambiente, na Universidade
Federal do Tocantins (UFT) wolf_teske@hotmail.com
Enquanto é promovida a Semana
do Meio Ambiente, diversos países dentre eles o Brasil,
continuam a planejar e perseguir o seu desenvolvimento e
muitos deles o fazem a qualquer custo. Desde a década de
70 e mais fortemente a partir da Eco 92, começam a
surgir programas concretos e sistematizados para
enfrentar os problemas do crescimento e globalização da
economia. A degradação ambiental no mundo é evidente e
inquestionável. Os reflexos da superexploração dos
ecossistemas num processo de globalização são uma ameaça
à estabilidade e sustentabilidade do planeta
Terra.
Segundo o economista Enrique
Leff, coordenador da Rede de Formação Ambiental para a
América Latina e o Caribe, do Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente, “a degradação ambiental, o risco
de colapso ecológico, a desigualdade social e a pobreza
extrema são sinais eloqüentes da crise do mundo
globalizado. A sustentabilidade é o significante de uma
ruptura fundamental na história da humanidade, o sintoma
de uma crise de civilização que alcança seu momento
culminante na transição da modernidade truncada para uma
pós-modernidade incerta, marcada pela diferença, pela
diversidade e pela autonomia”.
No seu livro Saber Ambiental,
Leff afirma que apenas modificar as bases ecológicas
sobre a questão ambiental não levará, a um
desenvolvimento sustentável. Para que esse tipo de
desenvolvimento se concretize será necessário valorizar
a diversidade étnica e cultural da espécie humana e
fomentar diferentes formas de manejo produtivo da
biodiversidade, em harmonia com a natureza. Entende-se
por desenvolvimento sustentável, todo e qualquer projeto
que, de fato, esteja comprometido com a eliminação da
pobreza e que traga mais qualidade de vida à população.
É importante lembrar que muitos projetos passam a
maquiar-se como se fossem de desenvolvimento
sustentável, entretanto não estão comprometidos com a
condição ecológica de cada comunidade local, com sua
autonomia cultural e respeito às diversas identidades
étnicas. Para o autor, o neoliberalismo ambiental “não
pode assimilar o verdadeiro sentido, os princípios e as
condições de uma gestão democrática do desenvolvimento
sustentável”.O capitalismo faz com que a ambição pelo
lucro seja a coisa mais importante a ser alcançada pelo
ser humano. Além do individualismo o capital passa a ser
o valor maior, a razão de vida por parte das pessoas.
Para alcançá-lo, faz-se qualquer coisa, mesmo que isso
signifique o empobrecimento da maioria ou a degradação
ambiental e o esgotamento dos recursos naturais. A
tomada de consciência sobre a gravidade do assunto já
está beirando os 40 anos. Segundo Pedro Jacobi,
professor e presidente do Programa de Pós-Graduação em
Ciência Ambiental da USP, foi Maurice Strong, em 1973,
que utilizou o conceito de ecodesenvolvimento para
caracterizar uma concepção alternativa de política de
desenvolvimento. Entretanto, foi Ignay Sachs que
formulou os princípios básicos do mesmo.
Para Sachs, “desenvolvimento
é um conceito pluridimensional”, pois significa, de
fato, “desenvolvimento
econômico-social-político-cultural-sustentável e
humano”. Ao descrever sobre o assunto, ele chama a
atenção sobre a importância da diversidade cultural e a
considera como “enorme riqueza que diferentes culturas
humanas criaram ao longo dos séculos”.Leonardo Boff,
professor-emérito da Universidade Estadual do Estado do
Rio de Janeiro, no livro Saber Cuidar, propõe “que se
reconstrua um novo ‘Ethos’, que no original grego
significa a casa comum, ou seja, a Terra. Urge modelá-la
de tal forma que tenha sustentabilidade para alimentar
um novo sonho civilizacional”.
Torna-se, cada vez mais
urgente, a construção de um novo mundo, de um novo
pensamento, de uma nova forma de agir que valorize o ser
humano e toda geração futura. Não podemos concordar com
um desenvolvimento que pretende promovê-lo sem limites.
Para tanto, torna-se urgente que as Universidades, ONGs,
Institutos e Fundações ligadas à pesquisa se debrucem
sobre a importância de refletir, pensar e aperfeiçoar o
conceito sobre desenvolvimento sustentável. Cabe a
todos, governos e sociedade, se mobilizarem com o
objetivo de garantir a sustentabilidade do Ambiente, ou
seja, a vida de tudo e de
todos. |