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Palmas, 03 de junho de 2008

Meio ambiente e sustentabilidade

Wolfgang Teske
é jornalista, educador, teólogo e mestrando em Ciências do Ambiente, Cultura e Meio Ambiente, na Universidade Federal do Tocantins (UFT)
wolf_teske@hotmail.com

Enquanto é promovida a Semana do Meio Ambiente, diversos países dentre eles o Brasil, continuam a planejar e perseguir o seu desenvolvimento e muitos deles o fazem a qualquer custo. Desde a década de 70 e mais fortemente a partir da Eco 92, começam a surgir programas concretos e sistematizados para enfrentar os problemas do crescimento e globalização da economia. A degradação ambiental no mundo é evidente e inquestionável. Os reflexos da superexploração dos ecossistemas num processo de globalização são uma ameaça à estabilidade e sustentabilidade do planeta Terra.

Segundo o economista Enrique Leff, coordenador da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e o Caribe, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, “a degradação ambiental, o risco de colapso ecológico, a desigualdade social e a pobreza extrema são sinais eloqüentes da crise do mundo globalizado. A sustentabilidade é o significante de uma ruptura fundamental na história da humanidade, o sintoma de uma crise de civilização que alcança seu momento culminante na transição da modernidade truncada para uma pós-modernidade incerta, marcada pela diferença, pela diversidade e pela autonomia”.

No seu livro Saber Ambiental, Leff afirma que apenas modificar as bases ecológicas sobre a questão ambiental não levará, a um desenvolvimento sustentável. Para que esse tipo de desenvolvimento se concretize será necessário valorizar a diversidade étnica e cultural da espécie humana e fomentar diferentes formas de manejo produtivo da biodiversidade, em harmonia com a natureza. Entende-se por desenvolvimento sustentável, todo e qualquer projeto que, de fato, esteja comprometido com a eliminação da pobreza e que traga mais qualidade de vida à população. É importante lembrar que muitos projetos passam a maquiar-se como se fossem de desenvolvimento sustentável, entretanto não estão comprometidos com a condição ecológica de cada comunidade local, com sua autonomia cultural e respeito às diversas identidades étnicas. Para o autor, o neoliberalismo ambiental “não pode assimilar o verdadeiro sentido, os princípios e as condições de uma gestão democrática do desenvolvimento sustentável”.O capitalismo faz com que a ambição pelo lucro seja a coisa mais importante a ser alcançada pelo ser humano. Além do individualismo o capital passa a ser o valor maior, a razão de vida por parte das pessoas. Para alcançá-lo, faz-se qualquer coisa, mesmo que isso signifique o empobrecimento da maioria ou a degradação ambiental e o esgotamento dos recursos naturais. A tomada de consciência sobre a gravidade do assunto já está beirando os 40 anos. Segundo Pedro Jacobi, professor e presidente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, foi Maurice Strong, em 1973, que utilizou o conceito de ecodesenvolvimento para caracterizar uma concepção alternativa de política de desenvolvimento. Entretanto, foi Ignay Sachs que formulou os princípios básicos do mesmo.

Para Sachs, “desenvolvimento é um conceito pluridimensional”, pois significa, de fato, “desenvolvimento econômico-social-político-cultural-sustentável e humano”. Ao descrever sobre o assunto, ele chama a atenção sobre a importância da diversidade cultural e a considera como “enorme riqueza que diferentes culturas humanas criaram ao longo dos séculos”.Leonardo Boff, professor-emérito da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro, no livro Saber Cuidar, propõe “que se reconstrua um novo ‘Ethos’, que no original grego significa a casa comum, ou seja, a Terra. Urge modelá-la de tal forma que tenha sustentabilidade para alimentar um novo sonho civilizacional”.

Torna-se, cada vez mais urgente, a construção de um novo mundo, de um novo pensamento, de uma nova forma de agir que valorize o ser humano e toda geração futura. Não podemos concordar com um desenvolvimento que pretende promovê-lo sem limites. Para tanto, torna-se urgente que as Universidades, ONGs, Institutos e Fundações ligadas à pesquisa se debrucem sobre a importância de refletir, pensar e aperfeiçoar o conceito sobre desenvolvimento sustentável. Cabe a todos, governos e sociedade, se mobilizarem com o objetivo de garantir a sustentabilidade do Ambiente, ou seja, a vida de tudo e de todos.