| Educação
premiada
Wolfgang Teske é
jornalista, educador e teólogo, cursa o Mestrado em
Ciências do Ambiente, Cultura e Meio Ambiente, na
Universidade Federal do Tocantins
(UFT) wolf_teske@hotmail.com
Durante a semana em que se
lembrou o Dia Internacional do Meio Ambiente, exatamente
no dia 5 de junho, o Estado do Tocantins recebeu o
Prêmio Gestão Nota 10, promovido pelo Instituto Ayrton
Senna (IAS), em São Paulo. O Estado se destacou nos
programas Se liga (alfabetização de repetentes) e
Acelera (objetiva um ajuste do fluxo e diminuição da
defasagem idade/série). Na ocasião, a cidade de
Araguaína, também recebeu, entre outros 33 municípios
brasileiros, o prêmio pelo Programa Escola Campeã. As
premiações tiveram ampla veiculação pela mídia local
pelo destaque em nível nacional, como é de praxe por
parte da imprensa, a quem compete o dever de deixar a
sociedade sempre bem-informada.
Para início dessa conversa,
quero deixar claro que não tenho absolutamente nada
contra estes prêmios que foram recebidos, pois enfim,
dentro das regras pré-estabelecidas desse programa,
foram merecidos. O que chamou a atenção foi o fato de
que, no mesmo dia, também foi veiculado pela mídia dados
e fatos tais como: Tocantins é quarto em número de
mortes no trânsito; Meio Ambiente - grande quantidade de
material descartado na natureza está entre os maiores
problemas. Talvez alguém já questione, mas enfim, o que
isso tem a ver com os Prêmios? Explico.
A educação está vivendo um
tempo de profundas mudanças paradigmáticas e apesar de
grande parte de educadores e programas educacionais
aparentar e se apropriar de linguagens
neo-paradigmáticas está, na realidade, firmada numa
prática dos modelos causais tradicionais arraigados em
teorias instrucionistas. Em outras palavras, a grande
maioria das escolas e professores está alicerçada no
poder, reproduz conhecimentos, é autoritária e
prepotente. Um dos sinais mais evidentes dessa prática é
a forma de avaliação do conhecimento pautado em cifras e
notas e não por competências.
O sociólogo e educador Pedro
Demo, baseado no pensamento quântico, afirma que tanto a
educação como a cultura e a sociedade são sistemas
complexos, o que exige a configuração de um novo cenário
para a educação. A educadora Maria Cândida Moraes, em
seu livro Pensamento Eco-Sistêmico, diz: “diante dessa
complexidade se requer práticas pedagógicas mais
dinâmicas, integradoras, complexas e holísticas”.
Para que o novo paradigma
possa ser compreendido e assimilado é necessário sair da
unidisciplinaridade e saltar para inter, multi e,
principalmente, para a transdisciplinaridade. Para o
romeno Baserab Nicolescu, presidente do Centro
Internacional de Estudos Transdisciplinares (Ciret), há
necessidade de desvendar as relações entre arte, ciência
e tradição e se propor “novos modelos de pensamento que
possam resgatar à cultura e à sociedade um ser humano
mais completo, capaz de enfrentar os desafios da
complexidade - a intrincada teia de relações entre
conhecimentos, disciplinas e sistemas (naturais,
culturais e econômicos) que caracteriza o mundo
contemporâneo”.
Seguindo esse novo caminho, a
escola e a educação sofrerão mudanças onde as intuições,
o imaginário, os símbolos, os mitos e a poesia dos
alunos e sociedade serão valorizados e, estes, por sua
vez, correrão para o ambiente escolar. Além disso,
têm-se, cada vez mais, consciência do paradigma
ecológico, no qual nos conscientizamos do fato de que
todos somos ecodependentes. Leonardo Boff,
professor-emérito da Universidade Estadual do Estado do
Rio de Janeiro, afirma: “Não podemos viver sem o meio
ambiente e seus ecossistemas, que incluído o ser humano,
formam o ambiente inteiro. Somos um elo da comunidade
biótica”.
No novo paradigma educacional
os professores serão educadores ambientais num sentido
amplo. Para Boff a educação ambiental é: “educar para a
arte de viver em harmonia com a natureza e propor-se
repartir equitativamente aos demais seres, os recursos
da cultura e do desenvolvimento sustentável”.
O resultado dessa nova
educação exigirá que se trate das questões ambientais de
forma global e integrada numa construção de um novo
mundo onde o haverá uma convivência não destrutiva que
os seres humanos estabelecerão entre si e a natureza.
Nessa nova realidade, o prêmio maior não será definido
por alguma organização e concedido apenas a poucos, mas
será de todos. |